A margem do rio

Alfredo Lindner Jr., Arquiteto e urbanista

Pois é, não é a praia dele, dirão os ambientalistas. Mesmo assim me atrevo a escrever. Para quem viveu o período universitário sob o jugo de uma ditadura e sem nenhuma liberdade de expressão, nada mais saudável e sustentável do que a troca de idéias e argumentos sobre esta nova apologia a respeito do fim-do-mundo.

A polêmica opinião de J.R.Guzzo há algumas semanas na Veja, ensina-nos que há pessoas muito mais experientes e inteligentes que não concordam simplesmente com a massificante e agressiva campanha responsabilizando o aquecimento global e a destruição da Amazônia como causa do naufrágio do “planeta Titanic”, como disse o biólogo Lauro Bacca, rebatendo meu comentário no Santa em 12.11.2009. Respeito o sr.Lauro Bacca pela inteligente lei municipal que criou, considerando a influência das bacias hidrográficas da cidade como referencia de cálculo dos recuos obrigatórios dos cursos d’água.

Sobre o novo protesto – passeata - de ambientalistas a respeito do projeto de contenção da margem do Itajaí-Açú e, sobre o artigo do biólogo (Santa 5.11.2009), “Retrocesso Ambiental”, falando da “bela floresta ciliar da margem esquerda do Rio Itajaí, no Centro”, gostaria de dizer que, qualquer um de nós, que vive há pelo menos trinta anos na cidade, sabe que a cada dois ou três anos as nossas enchentes normais se encarregam de desfazer a bela floresta que lá poderia existir. Não vou entrar no mérito do projeto que será finalmente executado pela prefeitura ou discutir se há formas mais modernas ou sustentáveis. A experiência de trinta anos da beira-rio na margem oposta não pode ser menosprezada, pois na verdade é hoje o nosso mais belo cartão postal. Em relação à pergunta – a quem interessa uma obra tão cara?- digo que interessa a todos que desejam uma cidade cada vez mais bonita e sustentável, e não apenas aos “abonados moradores” da região. Fiquei feliz com uma mensagem da passeata de hoje: “Rio Itajaí-Açú = Rio Tietê”. Talvez sem querer, chamaram a atenção para o problema do esgoto, nosso real calcanhar de Aquiles.

“O Brasil, em vez de reagir ao debate dos outros, faria melhor pensando primeiro em seus interesses. Para isso, precisaria saber o que quer. Parece bem claro que o país, antes de ter um problema ecológico, tem um problema sanitário”...” A questão ecológica real, no Brasil, chama-se pobreza.”(J.R.Guzzo).

ALFREDO LINDNER JR. Arquiteto e urbanista


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