Desmatamento legal





Alfredo Lindner Jr.

Sabemos que nenhuma lei é completa e nem sempre justa. Temos conhecimento das dificuldades e absurdos legais assim como conhecemos as facilidades e os desmandos ilegais no nosso país. Normalmente sem punição.

Apesar de não entender bem porquê, temos talvez as melhores e mais rigorosas leis ambientais e de atendimento aos portadores de deficiências, comprovado recentemente (opinião pessoal) pelo resultado na paraolimpíada.

Blumenau acaba ( na minha opinião) de ter sucesso e dar um exemplo, no recém findo Dia Sem Carro ( confesso que eu era cético).

Blumenau vive um momento difícil de entendimento do Código Florestal, assunto já de conhecimento do próprio presidente da República, conforme dito há menos de sete dias publicamente.

A cidade (ainda) tem uma cobertura vegetal significativa e crescente, com exceção do seu núcleo urbano e central. Não entendo o que considero uma falha grave na legislação existente ( trechos copiados abaixo). Basta ver as fotos recentes da esquina da Rua Paraíba com a Rua Dr. Sappelt, praticamente no centro da cidade.

Os arquivos estão acima e mostram a situação desde o original ( Google) até a situação recente, já com a derrubada anterior de um belíssimo flamboyant. Que por não ser nativo – ser exótico - é absolutamente legal.

Como se a nossa sombra e clima dependessem da certidão de nascimento da espécie.

Quem conhece(u) aquela esquina – e são milhares de pessoas que por lá circulam diariamente – deve olhar com muita tristeza a nova paisagem da cidade.

Possivelmente o terreno ainda pertença à família do saudoso Marcos Henrique Buechler, pessoa extremamente inteligente, capaz e amigo. Não vai nenhuma crítica a sua família ou ao atual proprietário do imóvel. Nem aos órgãos públicos responsáveis.

A crítica é à falta de bom senso.

Começaram derrubando a bela residência ( interesse do Patrimônio municipal? não quero julgar) e, depois, o restante. Não sobrou NENHUMA árvore ou sombra e daí o nosso espanto. Mesmo sendo permitido legalmente ( foi aprovado pela FAEMA de acordo com a legislação), sabendo que o provável destino será uma incorporação imobiliária, não entendo porque não foram deixadas as árvores. O projeto arquitetônico poderia aproveitar o que alguém (família Buechler) deixou de tão importante para a cidade ( verde e sombra, além da paisagem) e utilizá-lo DE GRAÇA como instrumento comercial, acrescendo lucro ao seu negócio. E dividendos à cidade.

Vale uma reflexão? Se se evitar uma repetição, talvez tenha valido a pena.


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