O Plano Diretor e a Cidade

Alfredo Lindner Jr.

A leitura da matéria sobre Planejamento Urbano, publicada pelo Santa em 8 e 9 de dezembro, na página 4, nos obriga à reflexão. Como em tudo naquela época, Blumenau na década de 70 foi uma das cidades pioneiras na contratação de um Plano Diretor Físico-Territorial. Mesmo assim, ainda hoje se ouvem os mesmos temas – “Anel Viário Norte e Sul”, “desenvolvimento da cidade na direção norte”, “áreas industriais não especificas, mescladas com comercio, habitação e serviços”. E outros temas. Infelizmente, muitos ainda por realizar. Como o Anel Viário Sul.

Outros, felizmente, evitados pelo Plano, como a ponte no Clube América – que não fazia sentido. Questões básicas foram derrotadas por interesses obscuros, especialmente em relação ao necessário planejamento do sistema viário. As mesmas pessoas que assinavam os índices urbanísticos do PD, as alteravam, liberando recuos e ocupações que era necessário preservar para viabilizar os planos de duplicação e alargamento das nossas ruas.

Trinta anos depois, o nosso sistema viário está cada vez mais difícil de equacionar. Não só pela falta de recursos. Mas principalmente pela falta de planejamento. A cada quatro ou oito anos, planos são abandonados e criados outros. É verdade, sempre surgem novas variáveis, mas planos devem ser atualizados e não substituídos. Principalmente, bons planos urbanísticos. A qualidade do que se planeja é sinônimo de viabilidade de sua execução. Assim como numa obra de arquitetura ou de engenharia.

As obras de infra-estrutura viária são dispendiosas. Uma avenida, uma ponte ou um viaduto. Não importa, o seu custo é elevado. Mas o importante é o investimento correto. O custo de uma ponte construída no lugar errado é o mesmo de uma ponte construída no lugar certo. Assim como de um viaduto ou de uma avenida nova.

Blumenau ainda é uma cidade especial para se viver. Como poucas no mundo. Em que se trabalha com adrenalina, se estuda com qualidade, se tem serviços médicos de primeiro mundo e, ainda, se tem segurança acima da média nacional. Sem nos esquecermos que tudo isso sob uma agradável paisagem.

Mas precisamos ficar atentos. Atentos e preocupados com o futuro.

Felizmente, a cidade, por meio da diretoria de planejamento urbano, está elaborando uma reforma geral no Plano Diretor. Como afirma a reportagem do Santa, a autonomia e a independência do Conselho de Planejamento Urbano – COPLAN – são fundamentais. É preciso planejar a cidade para os próximos cinqüenta anos. Tecnicamente.

Os nossos investimentos urbanos precisam ser minimizados e a qualidade, maximizada. A nossa deslumbrante paisagem precisa ser preservada. Sem prejuízo aos investimentos privados. E sem inviabilizar o investimento público.

Alfredo Lindner Jr. é arquiteto. 

Artigo publicado no Jornal de Santa Catarina
    


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